Muitas vezes, ao se ensinar Matemática,
me deparo com um grande desafio: despertar a atenção dos alunos para o querer
aprender Matemática. Eu sempre digo que ensinar os alunos a fazer conta é a
coisa mais fácil que existe, o difícil é ensiná-los a "pensar
matemática".
Ao se estudar álgebra ─ dentre outros temas
─, é comum ouvir de um ou outro aluno: “Porque eu tenho que aprender isso?”
Minha vontade é responder: “Para trabalhar como estivador? Nenhuma.” Opto,
então, por divagar sobre o pacote cultural que se ensina nas escolas que, de um
modo geral, nunca é usada pelo comum dos estudantes de baixa renda.
A base do ensino Matemática deveria ser
a conceituação da Matemática relacionando-a permanentemente com o mundo atual
que nos cerca. E quando digo base, digo os Anos Iniciais do Ensino Fundamental.
Ensina-se muito (principalmente em escolas públicas) ao aluno associar Matemática
ao fazer contas e limita-o às continhas básicas e “chatinhas”. Deveria-se, no
entanto, a despertar nessas crianças dos anos iniciais o “sentir prazer em
aprender” na descoberta da Matemática como ferramenta do cotidiano. Esta é a
mais básica filosofia escolar: o prazer no aprender.
É importante que o aluno aprenda e
domine os principais conceitos apresentados, uma vez que a Matemática é uma
poderosa linguagem de estudo e desenvolvimento, qualquer que seja a área do
conhecimento pretendida pelo aluno.
No campo teórico, fazer o estudante
interagir a Matemática com o mundo em que vive é fácil. Contudo, na prática,
fazer com que ele veja cada atividade realizada como um estímulo ao
desenvolvimento do seu raciocínio, fazendo com que melhore sua maneira de
pensar desafios não é das tarefas mais fáceis. Essa prática nos leva a ver a
resistência do comum da classe estudantil pública em se elevar a um patamar
mais racional da condição humana.
Particularmente acredito em uma “cura”
em longo prazo para todo o desinteresse verificado atualmente. Se me permitem a
comparação, a qualidade de uma planta está no terreno onde germina a semente.
Assim, a qualidade de um adulto está no seio familiar, em seus anos iniciais.
Ouso, então, transferir o problema da educação, de um modo geral, para os anos
inicias do estudante; e é lá que — acredito — o governo deveria concentrar seus
esforços. Pois, que adianta cobrar o sabor de uma maça semeada em um areal?